Postado em 9 de junho de 2019

Na falta da política, a guerra!

Autor: Humberto Azevedo

Em tempos modernosos onde o excesso do excesso de informações provoca uma onda de notícias falsas a circular em todos os cantos do planeta, o resultado disso é que as sociedades caminham para os conflitos. Tudo porque a política passou a ser interditada. O ambiente bélico que vemos no Brasil onde os segmentos à esquerda e à direita se isolam em bolhas segregadoras é apenas um exemplo dos vários que temos hoje no mundo. Resultado do subjetivismo do meu “melhor” e do “bom” contra aquilo considerado o “pior” ou “ruim” dos outros que reina nestes tempos em que a segmentação isola os uns do todo.

Assim o prefeito soteropolitano ACM Neto do DEM definiu a arte da política quando num pronunciamento de mais de 25 minutos na última convenção nacional do antigo PFL – Partido da Frente Liberal, afirmou citando os caciques antigos da legenda como o ex-senador potiguar José Agripino Maia, o ex-vice-presidente da República – Marco Maciel, o seu avô Antônio Carlos Magalhães e o catarinense “alemão” Jorge Bornhausen que a política só existe para evitar a guerra. E como tem faltado política nestes tempos. Pois, fazer política não é apenas chamar para conversar, dialogar, negociar, trocar, ganhar e perder. Fazer política é tudo isso junto e mais um pouco. Tem que sobrar paciência e faltar rompantes.

E como os elementos de se fazer política são utilizados usualmente como meros objetos de barganha que apontam apenas para a pequenez dos atos e gestos de humanos movidos pela máquina de Mamon, a política passou a ser associada inadvertidamente e equivocadamente ao oposto do que ela representa. Exemplo disso recente é uma frase de um dos jogadores do Arsenal londrino que lamentando a ausência do colega Henrikh Mkhitaryan por ser natural da Armênia – país vizinho do Azerbaijão onde fora disputada a final da última “Liga Europa”. Os armênios incentivam a independência da região de Nagorno-Karabakh pertencente aos azerbaijanos. No local, apesar de ser território do Azerbaijão, cerca de 90% da população é de origem armênia. E para lamentar o episódio, resumiu dizendo “que isso era política”. Quando, na verdade – meu Deus, é a mais completa falta de política. Por isso, o conflito, a guerra, o ódio.

A política só existe para intermediar as relações humanas. Por isso só é feita por essa espécie que habita um pequeno planeta – o quinto em tamanho da via láctea – num imenso universo em que até onde conhecemos, nenhum tipo de civilização alienígena extraterrena faça o mesmo. Fazer política não é simples, apesar de parecer que é. Ainda mais num regime dito democrático em que todos devem ser ouvidos e ter suas observações ao menos pontuadas. Já que para estabelecer um mínimo de agilidade é necessário que a maioria opte pelos caminhos a serem adotados respeitando os direitos das minorias. Já que, caso contrário, os sentimentos de perda vão se avolumando até estourar num conflito e, consequentemente, numa guerra.

Lógico que os acontecimentos no Brasil estão longe do que ocorre em Nagorno-Karabakh, ou até mesmo na Síria – onde a falta de política impera. Assim, todo cuidado é pouco e ainda bem que temos o “centrão” formado por DEM, MDB, PR que voltou a ser PL, PRB que passou a se chamar Republicanos, PSD, PSDB, PTB e SD, que apesar de não gostarem de ser chamados ou rotulados de “centrão”, exercem um importante papel neste primeiro governo pós Nova República que a muito custo tentou consolidar o regime democrático no país em que, pelo menos, na letra fria da lei sonhamos ser um Estado Democrático de Direito.

*Artigo publicado originalmente na edição 1.184, de 1º de junho de 2019,
do jornal O Vale da eletrônica, de Santa Rita do Sapucaí (MG).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).