Postado em 14 de setembro de 2020

O novo velho Brasil

Autor(a): Humberto Azevedo

O novo velho Brasil vai renascendo. A primeira semana do mês de setembro, deste 2.020 de pandemia a parte que já matou 124.651 brasileiros, conforme o balanço do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) divulgado nesta quinta-feira, 3, vai se encerrando. E com ele o doce amargo sabor dos podres poderes.

Tudo indicava que apesar do tombo na economia ter registrado no último trimestre (abril, maio e junho) uma queda de 9,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do país, a semana seria de muita euforia para a turma da bufunfa. Afinal, a semana terminaria em Brasília com o envio por parte do governo federal da Proposta de Emenda à Constitucional (PEC) que pretende estabelecer novas regras para os futuros funcionários públicos dos governos federal, estaduais e municipais, tais como acabar com a estabilidade e uma série de benefícios, direitos e privilégios.

De fato, a semana em Brasília se encerrou com o envio da proposta pelo governo ao Congresso. Entretanto, o que seria triunfal para o setor ultraliberal da sociedade brasileira acabou se configurando no início do fim da era do Chicago boy, Paulo Guedes, a frente do comando da economia nacional. É bem provável que o ministro, apelidado de “posto Ipiranga” pelo próprio presidente que o nomeou, ainda consiga persistir algum tempo a frente da pasta que reúne os antigos Ministérios da Fazenda; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; do Planejamento, da Previdência; e do Trabalho.

E o porta-voz do adeus a Guedes, para surpresa de muitos, foi o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vários pensavam que comungasse do mesmo receituário ultraliberal no campo da economia. Maia é liberal, não é radical. Papel, bobo, atribuído por meia dúzia de bocós eleitos pelo Partido Social Liberal (PSL) e pelo velho travestido de novo, NOVO.

No discurso que se inicia o cancioneiro da despedida de Paulo Guedes do até aqui desgoverno, instalado desde janeiro de 2.019, Maia foi direto. Mas, antes, fez loas e juras de amor e de agradecimentos ao ministro-chefe da Secretaria de Governo (SeGov) da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos. Na política, assim como na vida, não há espaço vazio.

Disse Maia: “Faço um agradecimento público ao ministro Ramos que foi decisivo nessa reta final de diálogo em relação ao Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação] e também em relação a todos os outros temas e certamente será em relação à reforma tributária, pela sua paciência e pela equipe que tem”.

Para acrescentar na sequência: “Ele [Guedes] proibiu seus secretários até de almoçar comigo. Ontem [2], tive que cancelar um almoço porque o Paulo Guedes não queria que seus auxiliares fossem. Minha relação com o ministro Luiz Eduardo Ramos é ótima e comuniquei ao governo que o diálogo se dará [agora] todo por meio dele”, disparou o presidente da Câmara em entrevista coletiva à imprensa.

Agora, resta-nos saber quando que Paulo Guedes será, em definitivo, a nova baixa do governo Bolsonaro que mesmo depois de saídas traumáticas como de Gustavo Bebbiano, Joice Hasselmann, Sérgio Moro dá pintas de ficar ainda mais forte, para desespero de oposicionistas. O governo que começou bagunçado vai se organizando e se tornando profissional. Os partidos centristras que até ontem eram chamados nas redes sociais bolsonaristas de “velha política” vão assumindo os rumos das naus governistas, como sempre fizeram desde que há 198 anos o país alcançou sua independência política, de pai para filho, se desligando do reino português para ser um imenso Portugal nas Américas.


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).

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