Postado em 8 de abril de 2020

O estouro da pandemia no Brasil

Autor(a): Humberto Azevedo

A partir desta nova semana que se inicia no domingo, 6, o Brasil e os brasileiros deverão assistir perplexos o aumento exponencial dos casos de coronavírus no país, ao mesmo tempo que o número de mortes também nos assustarão. Dados consolidados no fim da tarde da última quinta-feira, 2, pelo Ministério da Saúde indicavam que os óbitos relacionados a Covid-19 já somavam 299 registros.

De domingo, 29 de março, até quinta, em quatro dias, portanto, houve um aumento nas mortes no país de 153 casos fatais da doença. Isso, claro, seguindo os dados oficiais. Como já é consenso entre os especialistas os números são bem maiores, vistos que nossa estrutura não está conseguindo e nem conseguirá dar vazão a todas notificações a respeito da doença. Sobretudo num país em que há uma autoridade que a todo momento tenta desautorizar as recomendações médicas e não oferecer a imensa maioria condições dignas para se preservar.

De acordo com o site de monitoramento elaborado pela equipe da empresa de tecnologia Microsoft, as mortes no Brasil causadas pela Covid-19 já somam no início desta sexta-feira, 03, às 00h34, 414 óbitos. Enquanto o número de infectados com a doença já alcança mais de 8,8 mil brasileiros. No mundo, a contaminação já supera o um milhão de pessoas. As mortes pelo planeta já alcançariam quase 59 mil seres humanos.

Devido a gravidade desta pandemia, é recomendado a todos que fiquem em casa e só saiam para pequenas compras de alimentos, evitando sempre ambientes aglomerados. A economia, por mais importante que possa ser em nossas vidas, não terá serventia se a morte chegar. A falsa dicotomia que a maior autoridade do país quer impor neste momento não encontra eco em nenhuma parte do mundo.

O momento é de espera para saber que mundo será esse que o pós-Covid-19 irá nos proporcionar. Paradigmas que até então pareciam ser sólidos começam a se dissipar no ar. Diversos setores que contam com a reunião presencial de inúmeras pessoas para acontecer já começam a estabelecer não voltarão a ser como antes. O espaço virtual, cada vez mais, será o local de encontro na indústria de eventos.

2.020 parece ser o ano em que nos veio mostrar que o futuro realmente já chegou. A pandemia pós-moderna nos traz uma nova forma de agirmos entre nós. Quem não entender essas novas diretrizes será sugado pela velocidade do novo tempo. As formas de governança que já apresentavam sinais senis terão que ser substituídas por algo praticamente incompreensível para quem aprendeu com a estrutura arcaica no desenvolvimento das sociedades.

É como se as páginas de “admirável mundo novo” começassem a se transpor em nossa realidade. Aliás, tudo que é novo sempre causa temor pelo pior, mas como na sina, o novo sempre vence. As modalidades esportivas que se transformaram em verdadeiras indústrias bilionárias também terão que ser repensadas mais como objeto televisivo, do que eventos de confraternização social e humano.

Independentemente de ideologias, muitas delas superadas e pré coronavírus, se já não tinham muita serventia, após o registro da Covid-19, menos terão a partir de agora. As marcas nacionais que começaram a surgir na história da humanidade após 500 anos da eclosão do império romano podem estar chegando aos seus fins. As coletividades pequenas voltarão, aos poucos, como momento de transição, a ter a importância que já tiveram por séculos. É como se houvesse um retorno aos tempos feudais, onde a garantia pela vida será a moeda em troca da segurança e dos alimentos.

Aos poucos as megalópoles começarão a serem desmembradas. Seja pelas tragédias naturais, ou não. A luta pela vida já não se dá mais em campos de batalha e, sim, nos infinitos algoritmos que hoje vinham sendo utilizados para a manipulação comercial e até mesmo política. A nova sociedade já chegou, o Covid-19 só veio nos apresentar o que nos aguarda. Até lá, fiquem em casa e não dê ouvidos a loucos e a espertalhões. Pois estes são os primeiros a passar.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).