Postado em 15 de agosto de 2020

Entre a guerra e a paz no “centrão”

Autor(a): Humberto Azevedo

 Num momento em que o país alcança, pelos dados oficiais, o número de 98.493 mortes causadas pelo novo coronavírus (covid-19), a situação política no país chamado Brasil continua turva, nebulosa e sem perspectivas de que a situação chefe um denominador comum.

As elites brasileiras que fundaram esta nação em nome da santíssima trindade e que até o século 19 tinham como objetivo único o regresso promissor esperançado de retorno a sede do reino de Portugal se veem em pleno século 21 com os desafios do que fazer com o que restou do império lusitano.

Se no século 19 o desafio posto era disseminar o ódio aos ex-colonizadores para fincar nos trópicos um império típico europeu num continente de nítida vocação republicana caudilhesca, no século 21 já não há mais projeto de Brasil a ser guiado. Uma porque o projeto agrário, antenado nas novas tecnologias, descarta em boa parte a população humana do seu entorno. Outra porque o projeto nacional desenvolvimentista industrializante que fincou vitória em 1.930 chega um século depois sem oferecer alternativas a sua gente.

As elites não mais se entendem. O sonho acalantado de fazer do Brasil o país do futuro se esvaiu. Tudo porque o futuro chegou e o Brasil não cumpriu a promessa de se fazer. Somos apenas um imenso território dividido em estados, ou regiões, que não se convergem, ou que se desconfiam uns dos outros.

Retrato disso é a divisão sem chances de reatamento que é retratado no atual poder político. O todo poderoso “centrão” que refundou a república brasileira em 1.985 hoje é um arremedo dos seus fundadores. As lideranças que existem, se é que podem ser chamadas de lideranças, se guiam unicamente por interesses mesquinhos.

Temos hoje nessa elite que deveria nos guiar dividida entre um “centrão” de ignóbeis que aceitam a fazer o jogo dos fascistas que nos governam, e um outro “centrão”, como dizia o saudoso Paulo Henrique Amorim, perfumado e cheiroso, que gosta de pensar que são como os ianques ou se comportam da boca para fora como integrantes da nobreza europeia.

É entre esses dois “centrões” que hoje estamos aguardando os compassos da próxima jogada. Uma delas pode acarretar em um pequeno acordo já nesta sexta-feira, 07, pelos líderes dos dois agrupamentos: Arthur Lira (PP-AL), novo amigo do rei de plantão, e Rodrigo Maia (DEM-RJ) que articula o team que sustenta a defesa da Carta Cidadã promulgada em 05 de outubro de 1.988.

Enquanto isso as guerras intestinais que levam a cisão do velho “centrão” teve mais um movimento desfraldado nesta semana quando os articulados por Lira resolveram alijar da liderança da maioria um dos maiores aliados de Maia e, possivelmente, próximo presidente da Câmara a partir de 2.021: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Em resposta aos ataques do “centrão” capitaneado por Lira, o PSDB que recentemente assumiu ter uma postura crítica contra o governo eleito em 2.018, iniciou o processo de expulsão de um dos seus quadros, o deputado Celso Sabino (PA), que foi o nome escolhido por Lira para substituir o correligionário pepista Aguinaldo Ribeiro.

Antes o PSDB já tinha se divorciado, no mês de junho, de forma amigável ao seu então único ministro que compõe a atual gestão federal, o ex-deputado Rogério Marinho (RN) que é o titular do Ministério do Desenvolvimento Regional e que antes comandava a secretaria de Previdência e do Trabalho do Ministério da Economia.

E entre guerras e paz protagonizadas pelos partidos e agentes que amalgamam-se naquilo que se denominou de “centrão”, vamos assistindo um país se quebrar até o momento final das rupturas que cada elite regional parece quererem apostar seja por que querem, seja por instinto de suicídio.


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).

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