Postado em 13 de julho de 2020

Entre uma democracia aos frangalhos e o fascismo

Autor(a): Humberto Azevedo

2.018 entrará para a história como o ano em que a população brasileira deseducada, inculta e profundamente dividida escolheu por via eleitoral, é sempre bom destacar isso, um caminho autoritário, dantesco, grosseiro como timoneiro do seu futuro. O ciclo das Diretas Já que aposentaram os ditadores militares em 1.985 e pôs no lugar civis e democratas chegou ao fim após 33 anos em que aos poucos, e aos frangalhos, o Brasil tentou se democratizar e se tornar um país de todos e não de poucos.

Pode ter sido com muita fake news, ou não. De fato houve uma escalada grotesca em escala industrial de desinformações que levaram muito dos eleitores brasileiros para aquilo que temos hoje instalado nos Palácios da Alvorada e do Planalto. Mas se um povo crê que o concorrente do atual presidente da República no pleito distribuiu "mamadeiras de pirocas" para crianças quando ministro da Educação, é porque o nível a que chegamos enquanto civilização é de uma terra de bárbaros e idiotas.

Um povo emburrecido, que frustrado pelo fim do pequeno milagre econômico que o país viveu na última década, viu como solução para os seus problemas a assunção de um messias falsificado que em nome das maiores monstruosidades que o Brasil já viveu e vive se instituiu como plataforma política e eleitoral. Tudo o que estamos vendo atualmente com o desgoverno do senhor Jair Bolsonaro foi prometido e falado em alto e bom som durante a última campanha eleitoral.

Em 2.018, fizemos como os alemães que em 1.933 escolheram para chefiar o governo daquele país um tal de Adolf Hitler. As bandeiras são as mesmas. Hitler, o do bigodinho, só saiu do poder depois de 12 anos após auto ingerir cápsulas de cianureto percebendo a ocupação no território alemão das tropas da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que poria fim a segunda grande guerra na Europa e que devastou todo aquele continente.

Os brasileiros que mal sabem diferenciar notícias corretas de boatos acabaram elegendo em 2.018 um fascista sem saber o que é e o que representa o fascismo. Está certo que o nosso fascista, uma mistura de integralista abestado com os bandos rurais que se transformaram em milicianos urbanos, também mal sabe dizer quem foi Benito Mussolini. Mas o seu desgoverno é da mesma estirpe que o então líder fascista instituiu, na Itália, nos anos 20, 30 e 40 do século XX.

O fascismo surgiu como movimento antagônico para fazer frente aos revolucionários bolcheviques da Rússia pós-czarista e prometia lutar e manter a democracia republicana contra o arroubo dos comunistas. Mas como era um regime que impelia a lógica do funcionamento do corpo humano nas estruturas políticas e sociais, uma de suas primeiras vítimas e fatais era a morte da democracia. Tal como os fascistas brasileiros fazem agora.

Depois de 18 meses tomar posse, o militarismo que assumiu o governo junto com o falso messias num jogo mentiroso de morde e assopra prepara o terreno para aquilo que doidivanos chamam de ruptura. Boa parte de nossa classe política começa embarcar no enlace desenvolvido por fardados graúdos sem perceberem as armadilhas que lhes são preparadas. Até mesmo o principal partido de oposição que vê a manutenção disso aí como positiva porque acreditam que a polarização entre eles lhes sejam favoráveis.

O momento que deveria ser de união entre todos os democratas para destruir o monstro do fascismo vai sendo escanteado. Os fascistas estão convencidos que vão se tornar déspotas, nem que para isso seja necessário uma guerra civil. Já os políticos, de todas às matizes, acreditam que podem se compor com o inimigo mortal a quem chamam de adversários. Até o momento em que perceberão que não. E aí poderá ser tarde demais.

O resultado desta aventura bolsonarista que se materializa sob inspiração no chavismo do vizinho ao lado e de tanta admiração de esquerdistas pátrios será o fim do Brasil que conhecemos, quando veremos o surgimento de diversos brasis fragmentados de sul ao norte, de leste a oeste. A eclosão brasileira, a seguir os passos do fascismo eleito, está cada vez mais próxima. Para evitar uma tragédia de grandes proporções é preciso pôr fim imediato ao desgoverno fascista que se encontra instalado na sede do governo federal da ainda República Federativa do Brasil.

Caso contrário, lá na frente, depois de muita dor, sangue e segregação, os fascistas brasileiros que sobreviverem pagarão todos os seus crimes como os nazistas alemães pagaram entre 1.945 e 1.946 com os julgamentos do tribunal de Nuremberg. E mesmo aqueles que não se consideram fascistas, mas que colaboraram, de uma forma ou de outra, com o regime da morte implantado no país, terão o mesmo julgamento da história que foi reservado aos colaboradores de Hitler e de Mussolini.


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).