Postado em quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Só em Alfenas, cerca de 150 alunos do EJA não terão aulas neste segundo semestre

As aulas para o primeiro ano do EJA neste semestre foram canceladas em todo o Estado.


 Leonardo Miranda

“Não temos vagas!” Foram essas palavras que 40 estudantes, matriculados no primeiro ano do ensino médio do EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Prefeito Ismael Brasil Corrêa, ouviram na segunda feira, 04 de agosto, dia em que deveriam ter iniciado as aulas. Além da Ismael Brasil, outras instituições de ensino onde o curso do primeiro ano do ensino médio do EJA deveria ser oferecido e também está suspenso são: Colégio Estadual Dr. Emílio Silveira, Escola Estadual Dr. Napoleão Sales e na Escola Estadual Samuel Engel.

O EJA, também conhecido como Projeto de Aceleração de Aprendizagem, é uma modalidade de ensino onde os alunos concluem dois anos em um. “Acaba que para nós é um ano todo perdido, se cursamos o EJA já é para não perdermos mais tempo e esse atraso prejudica todos nós e pode desanimar muitos.”, relata a estudante Silvia Helena de Souza Bastos, de 40 anos. Ela é uma das alunas que chegou a fazer a matrícula no curso da Escola Pref. Ismael Brasil Corrêa.

Segundo Mônica Esteves dos Santos, orientadora da Escola Pref. Ismael Brasil Corrêa e responsável pelo EJA, que é ministrado na Escola Coronel José Bento, a justificativa da Secretaria Regional de Educação de Varginha é a impossibilidade do cumprimento dos 100 dias letivos, exigidos para cada semestre do curso. Mônica destaca que essa não é primeira vez que o primeiro ano do ensino médio do EJA não abre vagas no meio do ano. 

Na sequência, Silvia Helena de Souza Bastos, estudante do EJA,  e Ana Maria Moreira,
professora do EJA da Escola Estadual Pref. Ismal Brasil Corrêa (Fotos: Leonardo Miranda)

Ana Maria Moreira, professora do EJA da Ismael Brasil, comenta que muitos alunos na cidade serão afetados. Ela não entende como foi possível adequar todo o calendário escolar estadual mineiro aos jogos da Copa do Mundo e não ser possível fazer o mesmo para garantir as aulas para os alunos do EJA. A professora estima que só em Alfenas cerca de 150 alunos foram prejudicados e terão que esperar o próximo ano para voltarem a correr atrás do sonho de concluírem o ensino médio.

“Se o problema é a falta de tempo para cumprir o calendário de 100 dias letivos, bastaria estender as aulas no fim do ano. Fizeram isso por conta de futebol, porque não fazer agora? Não é justo fazer esses alunos esperarem ainda mais para concluírem os estudos”, comenta. 

As aulas do EJA da Escola Pref. Ismael Brasil acontecem no prédio de outra unidade escolar,
da Escola Estadual Cel. José Bento (Foto: Arquivo/Alfenas Hoje)

De acordo com informações obtidas nas escolas de Alfenas, que oferecem o EJA para alunos do ensino médio, neste semestre não haverá aulas para o primeiro ano do curso em todo o Estado de Minas. A informação transmitida pelas escolas, aos alunos prejudicados, é que eles terão que esperar até o fim do ano para entrarem em contato com essas escolas a fim de se informarem sobre a abertura das matrículas, para só voltarem a estudar em fevereiro de 2015. Em todas as escolas de Alfenas as aulas, para os alunos do segundo e do terceiro ano ensino médio do EJA, seguem normalmente.

Silêncio

Assim como em três das quatro escolas que oferecem o EJA em Alfenas, a Superintendência Regional de Educação de Varginha, quando procurada por nossa reportagem, não comentou assunto. Os funcionários que nos atenderam alegaram que não estavam autorizados a tratar do assunto.

Intervenção dos vereadores

Como a Escola Pref. Ismael Brasil Corrêa conta com as dependências da Escola Coronel José Bento para o desenvolvimento do curso, ao serem comunicados que não haveria aula neste semestre, muitos dos alunos, indignados com a situação, dirigiram-se até a Câmara Municipal de Alfenas, localizada próxima a escola, onde acontecia a reunião legislativa no último dia 4 e fizeram reinvindicações juntos aos vereadores.

Na reunião da última segunda feira, dia 11, o vereador Evanílson Pereira de Andrade (Ratinho/PHS), entrou com um requerimento cobrando do executivo municipal mais informações e providências para garantir o pleno funcionamento do EJA em Alfenas.

Além disso, os vereadores José Carlos de Morais (Vardemá/PROS) e Antônio Carlos da Silva (Dr. Batata/PSB) estiveram em Varginha e se reuniram superintendente regional de ensino, Agueda de Oliveira Saraiva. Segundo Dr. Batata, a justificativa da Superintendência para a não abertura de vagas para o primeiro ano do ensino médio do EJA confere com a dada à coordenação do EJA da Escola Ismael Brasil: a impossibilidade de cumprir os 100 dias letivos exigidos para cada semestre do curso. Isso porque os estudantes do EJA, segundo a argumentação do governo mineiro, não poderiam ter aulas aos sábados - para compensar o período de realização da Copa do Mundo - como ocorre com o ensino regular. 

Segundo Dr. Batata, existem opções para os alunos do primeiro ano do EJA de Alfenas continuarem os estudos ainda este ano, mas isso exigiria ações do Poder Executivo. Ele citou a possibilidade do EJA à distancia ser implantando em Alfenas e também sugeriu que os alunos do supletivo público cursassem o primeiro ano do ensino médio no CESEC (Centro Estadual de Educação Continuada de Machado). “Se o prefeito tivesse vontade politica, ele punha esses alunos para estudar.”, disse o vereador ao referir-se a possibilidade do governo local disponibilizar transporte aos estudantes.

Não é a primeira vez que o EJA em Alfenas vira alvo de polêmica. Em 2012, a Secretaria de Educação de Minas Gerais chegou a estudar o remanejamento das turmas da Escola Estadual Prefeito Ismael Brasil Corrêa – que funciona no prédio da Escola Cel. José Bento, para outra unidade escolar. O fato gerou protesto dos próprios estudantes e o Estado recuou. 



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