Postado em quarta-feira, 6 de junho de 2018 às 22:10

Menor envolvido em ataque a ônibus é parente de membro do PCC, preso em Contagem

Alessandro Emergente

Um dos menores envolvido no ataque a um dos ônibus em Alfenas, no último domingo, tem relação familiar com um presidiário, que, segundo a polícia, integra a facção criminosa PCC, o Primeiro Comando da Capital. O governador Fernando Pimentel (PT) afirmou, na terça-feira, que os ataques são ações articuladas por uma facção criminosa, sem especificar o nome dessa organização. 

O adolescente de Alfenas, envolvido no ataque a um ônibus no bairro Jardim Alvorada no último domingo, é parente do presidiário Gilberto de Oliveira Souza, conhecido como Cenoura, apontado como membro do PCC. Ele está detido na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Não há, no entanto, comprovação de que Souza teria envolvimento com os ataques.

O grau de parentesco entre o menor e o detento não é informada pela reportagem para não identificar o adolescente, em cumprimento a determinação do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Na casa desse menor, a Polícia Militar apreendeu, no domingo, galões e garrafas pet com combustível.

Um dos ônibus incendiado no domingo em Alfenas (Foto: Arquivo)


Em Minas Gerais, desde domingo até a noite de terça-feira foram registrados 50 ônibus danificados em 26 cidades, principalmente no Sul de Minas e no Triângulo Mineiro. Áudios que circularam, no domingo, reforçavam a suspeita de que as ordens teriam partido de dentro dos presídios.

No início da semana, o porta-voz da PM, major Flávio Santiago, admitiu a possibilidade de envolvimento de facções criminosas e que isso estava sendo investigado. Porém, na tarde de terça-feira, o governador de Minas Gerais afirmou que os ataques estão sendo ordenados por uma facção criminosa, mas não citou o nome do PCC.

O governador disse à imprensa que o motivo dos ataques é o rigor no cumprimento da lei no Estado. No Rio Grande do Norte também há registro de ataques, atribuídos ao PCC. O motivo seria uma insatisfação com o sistema prisional.

Apesar do governador apontar o rigor da lei em Minas no sistema carcerário, o problema da superlotação no Presídio de Alfenas vem aumentando. Hoje, o número de presos é quase três vezes superior a capacidade do local, o que coloca o Presídio de Alfenas como uma “bomba relógio”.

O risco de uma rebelião vem sendo alertado nos últimos anos. O Ministério Público entrou com uma ação judicial, com pedido de liminar, para tentar solucionar ou minimizar o risco em Alfenas, porém ainda aguarda uma decisão judicial. A Promotoria de Justiça pede a transferência de detentos para reduzir a superlotação.


Essa semana, o promotor de Justiça Frederico Araújo se reuniu, na Câmara Municipal, com vereadores e o comando da PM e da Polícia Civil de Alfenas e representantes do Consepa (Conselho Comunitário de Segurança Pública de Alfenas) para discutir o problema. Os vereadores tentarão agendar um encontro com o governador para discutir o problema.

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