Postado em quarta-feira, 15 de maio de 2013 às 08:59
Atualizada em quinta-feira, 16 de maio de 2013 às 17:02

Mortes de pacientes levantam suspeita de negligência

Dois pacientes morreram na entrada do Hospital Santa Casa. As mortes aconteceram num mesmo dia e podem estar relacionadas com um suposto atraso no atendimento.


Alessandro Emergente

Dois pacientes morreram na entrada do Hospital Santa Casa (HSC). As mortes aconteceram num mesmo dia e podem estar relacionadas com um suposto atraso no atendimento. A Polícia Civil já abriu inquérito para investigar o caso, informou o G1/Sul de Minas nesta quinta-feira.

As duas mortes foram registradas no mesmo dia: 9 de maio. No primeiro caso, Clotilde Teodoro Frenhan, 87 anos, teria falecido após esperar cerca de 15 minutos no lado externo da Santa Casa.

A espera teria acontecido para que fosse feita a ficha de atendimento ambulatorial. Segundo parentes da vítima, em relato à Polícia Militar, os familiares fizeram contato com a médica plantonista, Viviane de Moura Galvão, mas ela teria mantido o posicionamento de fazer o atendimento somente após o procedimento burocrático. 

Estado debilitado

Segundo familiares de Clotilde, a paciente chegou ao HSC com falta de ar e bastante debilitada - estava acamada há mais de 15 anos. Ela não resistiu à espera pelo preenchimento da ficha ambulatorial. 

Foto: Alessandro Emergente

A direção do Hospital Santa Casa preferiu não se
manifestar sobre o caso envolvendo dois pacientes

Segundo as testemunhas, Clotilde só foi atendida por uma equipe de enfermagem, quando os familiares começaram a chamar por socorro. Mas, segundo informações da PM, a paciente teria sido encaminhada para o interior do Hospital já sem vida para realização de procedimentos de ressuscitação cárdio respiratória.

Mais vítima

A morte de Clotilde foi por volta de meio dia e, enquanto a PM concluía o registro do boletim de ocorrência (BO), familiares de outro paciente solicitaram o registro de outro caso. O paciente Gaspar Alvarenga da Silva, 65 anos, também teria morrido à espera de atendimento.

O paciente chegou à Santa Casa em uma ambulância de Cabo Verde. O sistema SUS Fácil, programa de atendimento do governo do Estado, havia destinado uma vaga no CTI (Centro de Terapia Intensiva) do HSC.

Mas, segundo relato de familiares da vítima, o paciente teve que esperar mais de 40 minutos do lado de fora do Hospital para o preenchimento de uma ficha de atendimento ambulatorial e não teria sido recepcionado, de imediato, pela médica de plantão.

Foto: Reprodução

O paciente Gaspar Alvarenga da Silva também teria morrido à espera de atendimento

Segundo informações da PM, como o quadro clínico de Silva era grave e necessitava de cuidados especiais, o paciente não suportou o tempo de espera do lado de fora.

Na tarde de ontem (terça-feira), a reportagem entrou em contato com o administrador da Santa Casa de Alfenas, Aécio Lourenço de Assis, que preferiu não comentar o caso. A reportagem solicitou uma entrevista com a médica Viviane de Moura Galvão. Assis disse que entraria em contato com a médica e retornaria a ligação caso ela tivesse interesse em comentar o caso. Até a publicação desta reportagem nenhum retorno foi dado.

Relembrando

Em 2011, a reportagem do Alfenas Hoje mostrou que pacientes, tanto do SUS (Sistema Único de Saúde) quanto da rede particular, estavam ficando sem atendimentos no HSC. Na época, a PM registrou uma série de BOs sobre o caso. O motivo seria a falta de plantonistas no local. 



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