Postado em segunda-feira, 15 de julho de 2019 às 10:10

Pesquisa identifica compostos químicos inéditos que atuam contra fungos

O objetivo é descobrir compostos presentes nas folhas da “cerca viva” que servem contra fungos causadores de doenças, principalmente em pessoas hospitalizadas.


Da Redação

Em busca da identificação de compostos químicos com propriedades antifúngicas, o pesquisador Marcelo José Dias Silva, ex-aluno do programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas da Unifal (Universidade Federal de Alfenas) tem realizado estudos com o objetivo de descobrir os compostos presentes nas folhas de Mimosa caesalpiniifolia, mais conhecida como “cerca viva” ou “sansão do campo”, que agem contra Candida Krusei e Candida glabrata. Esses seres microscópicos são fungos causadores de doenças, principalmente em pessoas hospitalizadas e em pacientes com baixa proteção contra vírus e bactérias, com câncer ou com HIV-Aids.

Na continuação do trabalho iniciado no curso de mestrado na Unifal, o pesquisador, em parceria com a Instituição, pode identificar 28 compostos, incluindo 5 inéditos, encontrados por meio de fracionamentos bioguiados. De acordo com o pesquisador, durante esse procedimento foram usados diferentes líquidos a fim de extrair as substâncias químicas das folhas, que foram separadas em frações.

“Cada fração foi colocada em contato com o fungo e, a partir disso, observou-se em qual delas o fungo não cresceu. Depois, maiores estudos foram feitos com uso de ferramentas de laboratório na busca de quem seria responsável pelo não crescimento desse fungo”, explica.

Composto encontrado

Um dos compostos encontrados age contra Candida krusei, que possui resistência a um fármaco muito utilizado pela população, o fluconazol. “O uso de medicamento sistêmico (que chega à corrente sanguínea) e tópico (uso na pele) para o tratamento de doenças causadas por fungos ainda é restrito, e é clara a necessidade de novos agentes mais eficazes e menos tóxicos para a população”, explica. “Nesse sentido, as substâncias químicas extraídas das folhas de “cerca viva” constituem uma importante fonte na busca de novos medicamentos com atividades terapêuticas, em especial pela crescente resistência dos fungos aos medicamentos atuais”.

Para alcançar os resultados, o pesquisador conta que foram realizados ensaios bioguiados antifúngicos no Laboratório de Microbiologia da Unifal sob a supervisão da professora do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), Amanda Latércia Tranches Dias, com o auxílio de sua aluna de pós-doutorado, Naiara C. Silva. Já os estudos químicos foram realizados na Unesp, universidade em que Marcelo Silva faz o pós-doutorado em parceria internacional com o grupo de Alelopatia da Universidade de Cádiz (UCA), na Espanha.

Dada a relevância da pesquisa, o trabalho foi recentemente publicado pela “Journal of Natural Products”, importante revista na área de produtos naturais.



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