Postado em quinta-feira, 28 de março de 2019 às 20:08

Risco de solidão é maior para a comunidade LGBT que envelhece

Falta de apoio de amigos e familiares é uma preocupação para os idosos gays


Relatório mundial divulgado no dia 19 de março mostra que a relação homossexual ainda é crime em 70 países, sendo que seis deles preveem pena de morte. O levantamento chama-se “Fobia de Estado” e está em sua 13ª. edição. Inclui apenas membros da ONU, entre os quais 35% criminalizam a homossexualidade – a maioria na África. É realizado pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais (Ilga em inglês). Segundo a organização, em 1969, 74% das pessoas viviam em nações onde ser gay era crime; atualmente, esse percentual é de 23%. Um caso emblemático é o da populosa Índia, onde a prática foi descriminalizada ano passado. Aproveito para voltar ao assunto porque, se envelhecer é um desafio para todos, pode ser bem mais difícil para os homossexuais.

Esse blog já tratou da questão quando falou do risco de os mais velhos serem obrigados a abrir mão de seu passado – e a esconder sua orientação sexual, por exemplo – na eventualidade de terem que ingressar numa instituição de longa permanência. Muitos desafios relacionados ao envelhecimento são comuns a todos: imaginar quem cuidará de nós se ficarmos muito frágeis ou avaliar qual será nossa reserva financeira depois da aposentadoria. Há outros que angustiam os homossexuais, como mostrou pesquisa nacional realizada no ano passado pela AARP, a Associação de Aposentados dos EUA, entidade que reúne quase 38 milhões de afiliados. De acordo com o levantamento, 57% dos homens gays acima dos 45 anos são solteiros e 46% vivem sozinhos. Entre as lésbicas, os percentuais são menores: respectivamente, 39% e 36%.

A solidão tem um enorme impacto negativo no bem-estar e, quanto mais vulnerável o círculo de relacionamentos de uma pessoa, pior. Na falta de cônjuges e filhos, essa rede de proteção diminui e mesmo o número de potenciais cuidadores é afetado, ainda mais se o indivíduo se afastou do seu núcleo familiar. A mesma pesquisa mostra que os adultos LGBTQ se preocupam de não ter apoio de amigos e familiares ao envelhecer. Um outro estudo, do Williams Institute, ligado à Universidade da Califórnia, relatou que quase 60% de idosos homossexuais se ressentem da falta de companhia e 50% se sentem isolados.

A discriminação no mercado de trabalho também afeta a capacidade de poupança desse grupo, o que pode resultar numa mudança forçada para lugares de custo de vida mais em conta, mas onde talvez haja um risco maior de preconceito. Iniciativas como o Trans Wellness Center, criado em 2018 em Los Angeles, tentam suprir essa lacuna, oferecendo serviços de saúde, aconselhamento legal e de moradia, entre outros. Enquanto o aumento do número de centros comunitários voltados para o segmento LGBTQ já é uma realidade na Califórnia, o Brasil registra uma morte por homofobia a cada 16 horas.


Fonte:BemEstar



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