Postado em quinta-feira, 24 de março de 2016 às 23:48

Atrasos e redução de repasses fazem Restaurante Popular suspender atividades

Restaurante Popular suspendeu as atividades devido aos atrasos nos repasses e na redução da ajuda para o custeio.


 Da Redação

A crise financeira do Restaurante Popular de Alfenas tem se agravado e a administração do local decidiu suspender o atendimento ao público por dois dias. A redução dos subsídios pelo atual governo e os atrasos nos repasses para o custeio têm agravado a situação.

Na quarta-feira, o atendimento ao público foi suspenso, situação que permaneceu nesta quinta-feira. Quem compareceu ao local se deparou com as portas fechadas e cartazes informando os motivos da crise financeira do RP, agravadas desde 2013 quando o atual governo decidiu reduzir os subsídios – valor bancado pelo poder público para tornar a refeição mais acessível a população. Na época, o prefeito Maurílio Peloso (PDT) criticou a instalação do RP em Alfenas.

De acordo com um comunicado, afixado na entrada do RP, a suspensão das atividades foi um protesto devido ao “descaso da administração pública”. Ainda segundo o comunicado, a “grave crise financeira” foi imposta pelo Município pelo não pagamento de uma dívida, o que torna inviável a manutenção do RP. A direção do Restaurante Popular aguarda, nos próximos dias,  uma definição da prefeitura em relação as pendências para evitar o fechamento do serviço.

Ajuda caiu mais de 50%

Desde que assumiu o governo, Maurílio Peloso reduziu drasticamente o subsídio da prefeitura em 52% - o valor caiu de R$ 2,11, em 2012 (último ano da gestão petista), para R$ 1,00. Essa diferença passou a ser paga pelos consumidores. Atualmente, a refeição tem um custo de R$ 4,00 para o cliente.

Porém, a direção do RP alega que, com o aumento no valor da refeição, houve uma queda significativa no número de frequentadores. Além disso, os pagamentos da conta de energia elétrica e das despesas com água, que eram feitos pela prefeitura no governo petista, foi cortado pela atual gestão e o custo incorporado nas contas da empresa que administra o RP.

A direção do RP também alega que há constantes atrasos nos repasses mensais, valor que se refere ao subsídio firmado pela administração municipal em contrato firmado em abril do ano passado. Na ocasião, a empresa Antunes Pereira Ltda renovou o contrato de exploração do serviço por mais cinco anos após participar de um processo licitatório.

Antes de suspender as atividades, o Restaurante Popular vinha oferecendo almoço, jantar e café da manhã. Além disso, oferecia serviços como entregas de marmitex, com possibilidade de planos para mensalistas.

O comunicado, afixado na entrada do RP, também aponta o não pagamento de uma dívida contraída na gestão passada e que até hoje não foi paga. Esse valor, cerca de R$ 200 mil, deveria ser pago em 36 parcelas desde janeiro de 2014, segundo reportagem do Jornal dos Lagos publicada em maio daquele ano.

Desde 2013

Os problemas envolvendo o RP se arrastam desde a redução dos subsídios em 2013, o que diminuiu o capital de giro da administração do estabelecimento. Em agosto daquele ano, funcionários do RP chegaram a paralisar as atividades devido a atrasos nos repasses. 

O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) chegou a disponibilizar uma verba de R$ 350 mil para as melhorias no telhado, pintura e compra de equipamentos novos. Porém, o município perdeu esse dinheiro porque não houve contrapartida da prefeitura, segundo Ivair Antunes, administrador do RP.

A utilização desse recurso abriria possibilidade de inclusão do RP no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), gerido pelo MDS. A prefeitura já integra o PAA para as creches, mas não para o Restaurante Popular.

Por meio do PAA, a União repassa valores mensais para aquisição de alimentos junto a pequenos produtores rurais da cidade. O programa visa, além de auxiliar na manutenção do RP, colaborar com a manutenção de famílias no campo, possibilitando uma renda fixa.

A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa da prefeitura, mas devido o recesso desta quinta-feira não conseguiu êxito.

As atividades foram suspensas devido a crise financeira provocada pela
redução dos susbsídios (Foto: Alessandro Emergente/Arquivo)



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