Postado em terça-feira, 13 de março de 2018 às 12:12

Vereadores da base de apoio manifestam insatisfação com o governo

Alessandro Emergente

A sessão legislativa de segunda-feira foi marcada por discursos de insatisfação de vereadores, que integram a base de apoio do prefeito Luiz Antônio da Silva (Luizinho/PT), ao governo. Na pauta havia apenas um projeto de lei para ser apreciado, mas a votação foi adiada a pedido da autora da proposição, a vereadora Kátia Goyatá (PDT).

O vereador Antônio Carlos da Silva (Dr. Batata), líder da bancada do PSB, promete não votar com o governo caso não sejam corrigidas falhas na relação com o seu mandato. Disse que em relação a alguns projetos em tramitação, ele já assumiu ser favorável – entre eles, o que autoriza o pagamento de faturas vencidas em condomínios habitacionais populares. Porém, em relação a futuros projetos, diz que não votará com o governo a não ser em casos de “extrema necessidade”. 

Dr. Batata afirmou que, após as eleições de outubro onde o candidato de seu partido foi derrotado, Luizinho o procurou para que integrasse a base de apoio do governo. O acerto político, segundo ele, inclui duas combinações que não estão sendo cumpridas.

Acordos políticos não cumpridos

Um dos acertos não cumprido, de acordo com o vereador, é o não aproveitamento de membros do PSB na administração. Ele citou que embora a Secretaria de Esporte e Lazer seja comandada por um filiado do PSB, Fábio Sôssur (Fô), não há nenhum indicado por ele na estrutura hierárquica. A composição da Secretaria de Esporte e Lazer atende a indicação de outros grupos políticos, limitando o PSB apenas ao comando.

Os vereadores Tadeu Fernandes e Dr. Batata, que costumam votar com o governo, fizeram críticas a administração municipal (Fotos: Alessandro Emergente/AH e Arquivo/Alfenas Hoje)


Outra crítica do líder do PSB é o não atendimento de demandas relativas a zona norte da cidade, base eleitoral do parlamentar. Afirmou que, embora Luizinho tenha concordado com demandas apresentadas por ele, os comandados do prefeito não estariam executando. O parlamentar disse acreditar que a intenção de alguns assessores possa ser a de “queimá-lo” perante os seus eleitores e preparar terreno para outro futuro candidato naquela região.

O discurso de Dr. Batata foi após seu colega de partido, Domingos Reis Monteiro (Dominguinhos/PSB), ter feito críticas a administração municipal. As críticas foram relacionadas a não limpeza de lotes, atribuição de proprietários diante de notificações da gestão com possibilidade de multa por descumprimento. “Está um governo desgovernado”, atacou.

Requentando

O vereador Tadeu Fernandes (PTC), que também tem votado com a base governista, usou a tribuna para chamar a atenção de seu discurso. Ele resgatou um antigo problema de relacionamento com uma integrante e um apoiador do governo, a ex-secretária executiva de Meio Ambiente Kátia Alvarez e seu esposo João Carlos Pereira, chamados por ele de “terroristas psicológicos”. Kátia retornou ao governo em novembro

A sessão legislativa foi marcada por críticas ao governo, vindas da base de apoio (Foto: Alessandro Emergente/AH)


O vereador pediu que a assessoria da Câmara Municipal encaminhe ofícios a Polícia Federal, Polícia Militar e Polícia Civil para esclarecimentos. Ele quer que sejam esclarecidas publicações, nas redes sociais, feitas por Pereira. Na época, ele teria postado que 25 pessoas do governo estavam para ser presas, sendo que os mandados (de prisão) já estariam nas mãos dos órgãos policiais.

Tadeu Fernandes criticou o prefeito por manter Kátia Alvarez no governo, o que – segundo ele – seria um compromisso político com o PCdoB. “Manda esse PCdoB caçar sapo”, esbravejou.

O vereador chegou a elogiar o ex-prefeito Maurílio Peloso (PDT) por não se submeter a esse tipo de situação. Peloso, classificado durante a sessão como sendo de “pulso forte”, acompanhou a sessão legislativa junto com outros membros do PDT. Chegou a usar a tribuna para manifestar apoio a pré-candidatura de Kátia Goyatá à Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

Falta de Medicamentos

As críticas também vieram da oposição. Kátia Goyatá fez um duro discurso pelo não envio de resposta a um requerimento apresentado por ela. Ela havia solicitado a lista de medicamentos fornecidos pela Prefeitura de Alfenas, o Remume (Relação Municipal de Medicamentos) e ata do Conselho Municipal de Saúde relativa a aprovação da lista.

A resposta, encaminhada pela Secretaria de Saúde à Câmara Municipal, foi classificada por Kátia como sendo “bizarra”. Classificou a resposta como uma falta de respeito ao tentar ludibriar o Parlamento na tentativa de negar ou retardar informações.

O ex-prefeito Maurílio Peloso ao usar a tribuna da Câmara e manifestar apoio a Kátia Goyatá (Foto: Alessandro Emergente/AH)


Segundo a vereadora, a Secretaria Municipal de Saúde respondeu que a ata foi solicitada ao Conselho Municipal e será remetida a Câmara Municipal assim que for remetida à Prefeitura.

Para Kátia, a resposta chega a ser “infantil” e é uma tentativa de taxar os vereadores de “idiotas”. A lista é definida pela própria Secretaria Municipal de Saúde a partir do orçamento e análise técnica de seu quadro de funcionários. Cabe ao Conselho Municipal, lembrou, apenas aprovar ou alterar o Remume.

Na avaliação da vereadora, o não envio das informações é uma tentativa de prejudicar a atuação da Câmara Municipal na função de fiscalizar os atos do Poder Executivo. “Não querem admitir que no país das maravilhas de Alice está faltando remédio”, declarou. “Com a lista nas mãos, eu provo que está faltando”.

Pelo governo

A prática de enviar um representante da administração municipal à Câmara Municipal durante as sessões legislativas não tem sido adotada com frequência pelo governo. No início do mandato, o vice-prefeito Eliacim do Carmo Lourenço (PCdoB) e o secretário executivo de Governo, Antônio Carlos Esteves Pereira chegaram a cumprir essa missão.

A defesa do governo em plenário tem sido executada, principalmente, pelo vereador Vagner Morais (Guinho/PT). Sobre o problema da limpeza de lotes, criticou especuladores como sendo responsáveis pelo problema da sujeira. Atribuiu a limpeza em frente as residências aos moradores. “A primeira obrigação é do morador. É uma vergonha um morador ter a porta da casa dele suja”, declarou.

Sobre a falta de medicamentos, apontada por Kátia, Guinho disse que sempre haverá reclamações.

Votação adiada

Na pauta havia apenas um projeto de lei, de autoria de Kátia Goyatá. A proposição, que seria submetida a primeira votação de um total de dois turnos, dispõe sobre a instalação de equipamentos eliminadores de ar nas tubulações do sistema de água de Alfenas, executado pela concessionária do serviço – a Copasa.

O projeto chegou a receber emendas parlamentares da Comissão de Constituição, Legislação, Justiça e Redação Final (CCLJRF). A autora do projeto, no entanto, pediu adiamento da votação por 20 dias, o que foi acatado pelo plenário. Durante a sessão legislativa, o elenco do filme “À flor da Pele” recebeu uma moção de congratulações.

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