Postado em quinta-feira, 30 de abril de 2026
às 15:03
Em Alfenas, Duda Salabert defende "universidade necessária" e o compartilhamento de privilégios
Deputada Federal debateu democracia e gênero em evento organizado pela Unifal.
Da Redação
Uma profunda reflexão sobre o papel social do ensino superior e a urgência da inclusão. Essa foi a tônica da palestra da deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) durante a conferência "Democracia e Diferenças", realizada, na noite de quarta-feira, no Teatro Municipal de Alfenas. O evento foi promovido pelo grupo Amhor (Acervo de Memória e História do Orgulho LGBTQIA+ no Sul de Minas) e pelo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Unifal (Universidade Federal de Alfenas).
Inspirada no conceito de "Universidade Necessária", do antropólogo Darcy Ribeiro, Duda resgatou a obra de 1969 para defender um modelo de instituição engajado na superação das desigualdades e voltado para a realidade nacional. Para a parlamentar, o conhecimento acadêmico não deve ser um fim em si mesmo, mas um meio para integrar a sociedade e promover a dignidade humana.
Educação e marginalização
A deputada apresentou dados alarmantes que ilustram a exclusão da população trans no Brasil. Segundo os indicadores expostos, 90% das travestis estão na prostituição e, em Belo Horizonte, 90% não completaram o ensino médio. Além disso, a vulnerabilidade social reflete na saúde pública, com cerca de 40% dessa população convivendo com o HIV.

Diante desse cenário, Salabert questionou o papel dos educadores. "De que maneira a sua carreira e o seu currículo lattes estão a serviço de transformar a sociedade?", indagou. Para ela, a ocupação de espaços de poder e saber por "corpos dissonantes" é uma forma de resistência e de transformação simbólica necessária para a democracia.
O papel do privilégio
Um dos pontos centrais da palestra foi o questionamento sobre o que cada cidadão faz com as condições favoráveis que possui. Sob o lema de que "privilégios precisam ser compartilhados", a deputada citou sua experiência como professora, quando destinou parte de seus rendimentos para o financiamento coletivo de um espaço educacional voltado a pessoas marginalizadas.
A fala reforçou a ideia de que a transformação social depende de uma postura ativa daqueles que detêm acesso à educação e ao capital. O evento, promovido pelo grupo Amhor, consolidou-se como um espaço de debate crítico, reafirmando que o fortalecimento da democracia passa, obrigatoriamente, pelo reconhecimento e pela inclusão das diferenças no coração das instituições de ensino.
A conferência "Democracia e Diferenças" foi organizada pelo grupo Amhor e pelo Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), ambos da Unifal. O Amhor é um grupo de extensão da Universidade, coordenado pela professora Marta Rovai, doutora em História Social pela USP (Universidade de São Paulo). O grupo tem como objetivo discutir questões relacionadas a sexualidade e ao gênero.
