Postado em segunda-feira, 5 de agosto de 2019 às 09:30

Produtores de queijo do Sul de MG adotam cautela à abertura do mercado chinês para o setor

Produtores artesanais e da indústria observam abertura que pode render frutos para a região no futuro.


Produtores de queijos artesanais e industriais do Sul de Minas ainda observam com cautela o anúncio do Ministério da Agricultura que a China vai abrir mercado para a exportação de produtos lácteos brasileiros como leite em pó e queijos. Apenas 24 indústrias do país estarão habilitadas a exportar para o mercado asiático.

Por enquanto, nenhuma indústria do Sul de Minas faz parte da lista dos autorizados a exportar. Mas a expectativa é que essa abertura possa beneficiar produtores locais no futuro.

Artesanais aguardam regulamentação

No dia 18 de julho, o presidente Jair Bolsonaro assinou o decreto que regulamenta a Lei do Selo Arte, que cria regras para a venda de alimentos artesanais, como queijos, mel e embutidos no Brasil. Com a publicação das regras, os produtos poderão ser vendidos em diferentes estados.

No entanto, os produtores ainda aguardam a regulamentação da Lei Estadual 23.157, que dispõe sobre a produção e comercialização dos queijos artesanais de Minas Gerais. É a regulamentação dessa lei que vai delimitar como será a inspeção estadual sobre os produtos artesanais, em consonância com a Lei do Selo Arte, que é federal.

Produtores de queijo analisam abertura do mercado chinês ao produto brasileiro — Foto: Régis Melo/G1


Para o presidente da Associação dos Produtores de Queijo Canastra, João Carlos Leite, a possibilidade de exportação para grandes mercados, como a China, ainda vai demandar uma maior organização do setor.

A opinião é compartilhada pelo comerciante Osvaldo Martins de Barros Filho, que possui uma empresa em Alagoa (MG) e é um dos pioneiros na venda de queijos pela internet.

"Eu vejo a exportação com bons olhos, mas para a indústria, que tem escala. Para o artesanal, eu confesso, não me deu aquele entusiasmo, porque tem que ter escala para poder atender a demanda.

Para exportar, para viabilizar a exportação, teria que ter grande escala. Para ter grande escala, seria necessário juntar uma associação, várias associações de produtores para conseguir ter caminho, porque um produtor só não consegue atender à demanda", disse o comerciante.

No entanto, os produtores sabem que a abertura do mercado chinês poderá dar retorno no futuro.

"De qualquer forma não acho que vai estar tão distante. Tenho a impressão que na hora que essas plantas autorizadas começarem a exportação, isso tudo é uma coisa que de certa forma facilita a outra", completou o presidente da Aprocan.

Indústria no Sul de Minas

Uma das maiores indústrias de queijo da região, em Cruzília, é parceira de uma das 24 empresas credenciadas à exportação. A sede parceira, Laticínios São João, fica em São João do Oeste (SC), e já exporta para lugares como Taiwan e Estados Unidos.

Agora, recebeu a habilitação para entrar no mercado chinês. Dentro de 60 dias, o primeiro container deve sair rumo ao país asiático.

"A gente passou por uma consulta da inspeção federal. Teve uma série de documentação para preencher. Com a nossa habilitação, que nos abre a porta para exportar, a gente conseguiu entrar nessa lista", explico o CEO dos laticínios São João e Cruzília, Maikel William Grasel.

A unidade no Sul de Minas ainda não exporta para nenhum país. No entanto, para Maikel, a entrada da empresa parceira é um facilitador importante para que a região entre nos negócios.

"Com certeza Cruzília vai entrar na rota. A abertura de mercado facilita bastante para o laticínios Cruzília conseguir uma habilitação. Já vamos ter canal de mercado, o know how, clientes, processo".

Mesmo sem a previsão oficial para que novas listas com mais empresas brasileiras sejam confirmadas, Maikel acredita que isso deve acontecer em um prazo de seis meses a um ano.

"Os mercados estão cada vez se abrindo mais. Você pode pegar o exemplo que o Brasil fez um acordo com a União Europeia. Esse queijo vai começar a entrar aqui dentro com o imposto reduzido. Então, o Brasil da mesma forma como está abrindo suas portas para uma importação, vai ter que criar alguns canais de exportação", detalha.

Exportação para a China

O Ministério da Agricultura anunciou na semana passada que a China vai abrir mercado para a exportação de produtos lácteos brasileiros como leite em pó e queijos. O acesso aos consumidores chineses estava acordado desde 2007, mas não havia nenhuma indústria brasileira habilitada a exportar.

Entre os produtos que poderão ser exportados estão os "não fluidos", como leite em pó, queijos e leite condensado. Com a habilitação dos estabelecimentos, a expectativa do setor é exportar US$ 4,5 milhões em queijos, estima a associação Viva Lácteos, que representa a cadeia produtiva.

Em 2018, os chineses importaram 108 mil toneladas de queijo de outros países, segundo a entidade. A importação do produto tem crescido a uma taxa média anual de 13% nos últimos cinco anos.

Fonte: G1



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