Postado em domingo, 19 de maio de 2019 às 16:04

Alfenas se mobiliza pela ‘Luta Antimanicomial’

Uma série de ações está sendo realizada para alertar sobre o risco de retrocesso na política da saúde mental em vigor.


Da Redação

“De mãos dadas contracorrentes”. Esse é o tema deste ano das comemorações pela “Luta Antimanicomial”, que teve o seu dia “D” – comemorado oficialmente - no sábado (18 de maio).

Várias instituições se uniram para lembrar a luta de trabalhadores, pacientes com grave sofrimento psíquico e seus familiares por um tratamento dentro do que a Reforma Psiquiátrica Brasileira. “Dizemos não aos manicômios e todo 18 de maio relembramos as atrocidades ocorridas em manicômios para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, afirma uma mensagem no site da Prefeitura de Alfenas que é atribuída Liga Acadêmica de Atenção Psicossocial Arthur Bispo do Rosário (LAAP), da Unifenas (Universidade José do Rosário Velano).

A Liga, a Secretaria Municipal de Saúde, Imed (Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento) e a Unifal (Universidade Federal de Alfenas) se uniram para lembrar a data e promoverem uma programação, iniciada no último dia 14 e que se encerra na terça-feira (21).

Passeata realizada no último sábado, Dia Nacional da “Luta Antimanicomial” (Foto: Ascom/Prefeitura)


Na abertura foi realizado o II Simpósio da LAAP, no Auditório Professor Edson Vellano, na Unifenas. No sábado foi realizada uma passeata, levando o tema para a população. Para o encerramento dos eventos das manifestações da Luta Antimanicomial será realizada na terça-feira uma roda de conversa "tecendo a rede". Será a partir das 13h30, na Unifal.

Apesar de grandes avanços nas últimas décadas, como o fechamento de muitos hospícios, a criação de vários Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Residências Terapêuticas, Centros de Convivência em todo país e a construção de uma política pública de saúde mental envolvendo o tratamento em regime aberto, nos últimos anos o movimento vem enfrentando ameaças de grupos contrários, que querem de volta os hospícios, com o uso de eletrochoques financiados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

O movimento da reforma psiquiátrica teve início no Brasil, na década de 70, em pleno processo de redemocratização do país, com o lema “por uma sociedade sem manicômios”. Em 1987 houve dois marcos importantes para a escolha do dia (18 de maio) que simboliza a luta: 1) o Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, em Bauru/SP, e 2) a I Conferência Nacional de Saúde Mental, em Brasília.

De acordo com as informações divulgadas pela Prefeitura, esses movimentos resultaram na aprovação da Lei 10.216/2001, de autoria do ex-deputado Paulo Delgado (PT), que trata da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência.



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