Postado em sexta-feira, 29 de março de 2019 às 19:07

Descoberta genética abre portas para repelente contra Aedes aegypti

Cientistas descobriram gene que faz com que mosquito detecte ácidos do cheiro humano e encontre suas "vítimas"


Cientistas de uma universidade da Flórida descobriram o gene que faz com que o mosquito Aedes aegypti detecte os ácidos do cheiro humano e encontre assim suas “vítimas”, o que abre as portas para a criação de repelentes mais eficazes contra esses grandes transmissores de doenças.

“Agora podemos usar essa informação para entender como os mosquitos encontram as pessoas e para criar novos cheiros que bloqueiem ou alterem os odores que atraem o mosquito”, explicou à Agência Efe Matthew DeGennaro, chefe da equipe da Flórida International University (FIU), que fez a descoberta.

Os resultados da pesquisa que encontrou o gene IR8a, um receptor olfativo que funciona junto a outros para a detecção dos ácidos na pele humana, foram publicados nesta quinta-feira na revista “Current Biology”.

Os “Aedes aegypti”, ao contrário de outros mosquitos, são “especializados em humanos”. Os machos se alimentam de néctar, mas as fêmeas precisam se alimentar de sangue humano para se reproduzir. Sem isso, não podem pôr ovos, explica DeGennaro.

O cientista, de 43 anos, nascido em Nova York e que vive em Miami há cinco anos, já era conhecido no mundo da genética por ter criado em 2013, quando trabalhava como pesquisador na Rockfeller University, o primeiro mosquito mutante da história, ao qual faltava um gene.

Desde então, guiada pelos resultados das pesquisas sobre o genoma da mosca realizadas por outros cientistas, a equipe de DeGennaro continuou tirando grandes quantidades de genes de mosquitos para ver as mudanças que aconteciam e dessa forma chegar a conhecer as funções dos diferentes genes. Assim encontraram o IR8a.

Os mosquitos que foram privados desse gene tinham problemas para detectar o ácido láctico e outros componentes ácidos no cheiro humano, mas continuavam percebendo o dióxido de carbono e o calor emitidos pelas pessoas.

Diante da incapacidade de sentir o cheiro do ácido, mais de 50% dos mosquitos não conseguiram buscar alimento picando alguém.

O cientista nigeriano Joshua Raji, da equipe de DeGennaro, se usou como cobaia e descobriu que, embora atraísse os mosquitos naturais, os mutantes sem o gene IR8a não se aproximavam.

“A ciência é uma viagem, às vezes encontrávamos surpresas, e em outros casos, não”, diz DeGennaro com entusiasmo.

O biólogo nova-iorquino afirmou que agora que se sabe a função do IR8a, o objetivo não é criar em laboratório milhões de mosquitos “Aedes aegypti” sem esse gene, mas avançar na elaboração de repelentes desenvolvidos de “uma maneira mais racional”.



Fonte:ExameAbril