Postado em terça-feira, 31 de janeiro de 2017 às 09:13

Lava Jato: o País aguenta o tranco?

Ao embarcar para a morte, o ministro do Supremo Teori Zavascki previa que a operação tornaria 2017 mais complicado que o ano anterior.


Da Carta Capital

 

Teori Zavascki, o juiz da Operação Lava Jato em Brasília, estava muito preocupado ao ver o filho Francisco pela última vez, em Porto Alegre, na véspera de encontrar a morte em um desastre aéreo rumo a Paraty, no litoral fluminense.

Examinava há alguns dias o roteiro das delações de mais de 70 executivos da construtora Odebrecht, papelada que caberia a ele validar ou anular. Ficou muito impressionado, a perguntar se o País aguentaria o tranco. “Acho que 2017 vai ser muito mais complicado que 2016”, comentou com o filho, autor de relatos sobre a conversa. Por quê? “Pelo envolvimento de pessoas realmente poderosas.”

A incerteza sobre o comando da Lava Jato aberta com sua morte prova que o magistrado acertou na mosca. Às vésperas do fim do recesso parlamentar e forense, Brasília foi tomada por articulações de bastidores sobre o destino dos processos, conversas a mobilizar o Palácio do Planalto, políticos, togados da mais alta Corte, o chefe do Ministério Público.

Uma semana depois do falecimento de Zavascki, dia da conclusão desta reportagem, não se sabia quem assumiria a condução do caso no Supremo Tribunal Federal, único a julgar figurões da República como ministros, senadores e deputados, nem como se daria a escolha do novo relator.

No emaranhado de interesses, dois grupos se destacaram. De um lado, uma turma doida para deter o avanço da Lava Jato em sua direção, casos de Michel Temer, PMDB e PSDB e os ameaçados em geral pela delação dos executivos da Odebrecht. Do outro, o Ministério Público e a presidente do STF, Cármen Lúcia.

 

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