Postado em sábado, 22 de agosto de 2020 às 13:01

MST planeja reconstruir escola destruída durante ação de despejo

A escola foi destruída durante a ação de despejo em um dos acampamentos em Campo do Meio.


Alessandro Emergente

O MST (Movimento Sem Terra) pretende reconstruir a escola destruída durante uma ação de despejo em Campo do Meio há pouco mais de uma semana. A informação foi divulgada pelo portal Uol, na coluna do jornalista Leonardo Sakamoto.

A escola Eduardo Galeano estava na área, que foi alvo de cumprimento de um mandado pela Polícia Militar atendendo uma decisão judicial para reintegração de posse. A ação de despejo, cumprida recentemente, atingiu 13 famílias, segundo o MST. Porém, a escola era a única dos acampamentos que possuem, no total, cerca de 450 famílias que vivem em áreas ocupadas em Campo do Meio.

A informação sobre a reconstrução da escola, divulgada por Sakamoto no Uol, foi dada ao jornalista Daniel Camargos, do Repórter Brasil, pela coordenadora estadual do MST, Tuíra Tule. Além da escola, seis casas destruídas durante a ação de despejo também serão reconstruídas, mas o local exato não foi informado pela reportagem.

Tamanho da área

O território ocupado por integrantes do MST há 22 anos está dividido em dois terrenos. Para ambos, há pedidos judiciais de reintegração. Mas a área, que foi alvo há uma semana de ordem judicial, tem 52 hectares e faz parte do Quilombo Campo Grande.

A escola foi destruída durante a ação de despejo cumprida pela PM em atendimento a uma decisão judicial (Foto: Daniel Camargos/Repórter Brasil)


O tamanho da área que está sendo alvo da ação da polícia é controversa. A primeira ordem judicial de reintegração de posse, referendada na 2ª instância pelo Tribunal de Justiça (TJ), afirmava que ela tinha 26 hectares. No entanto, meses depois, um juiz da Vara Agrária ampliou para 52 hectares o total a ser reintegrado e determinou o despejo – o que aumentou o número das famílias atingidas de quatro para 13.

A ocupação das terras ocorreu depois da falência da Usina Ariadnópolis, que deixou dívidas trabalhistas na década de 1990. No total são 4 mil hectares ocupados por 450 famílias, parte delas de ex-funcionários da antiga usina em 1998, dois anos após a falência da usina. Cada família cultiva, em média, oito hectares e a maioria não usa agrotóxicos e nem sementes transgênicas. O café Guaií é tido como símbolo da produção local.

Acordo empresarial

Mas é justamente o interesse pela produção cafeeira que está por traz da reintegração de posse, segundo reportagem publicada pelo site Repórter Brasil no último dia 13. O empresário Jovane de Souza Moreira, que tenta reativar a usina, firmou um acordo com um dos maiores produtores de café do Brasil, João Faria. O documento firmado prevê o arrendamento de parte dos 4 mil hectares da terra para o plantio de café, enquanto outra parcela seria destinada ao cultivo da cana-de-açúcar. Souza é pai de Jovane Souza Moreira Júnior, pré-candidato a prefeito em Alfenas pelo Avante.


Em 2018, João Faria plantou 18 milhões de pés de café, o que fez dele o maior produtor individual do grão do mundo. No ano seguinte, em 2019, a companhia Terra Forte, que pertence a ele, entrou em recuperação judicial para evitar a falência com R$ 1,1 bilhão em dívidas.

Segundo a reportagem do Repórter Brasil, a parceria entre Jovane e João Faria conseguiu suspender judicialmente um decreto do governo mineiro, que em 2014, havia autorizado a desapropriação da área da antiga usina para que ela fosse destinada à reforma agrária.

Criada no século 20 pelo português Manoel Alves de Azevedo, a usina Ariadnópolis teve seu auge na década de 1970, impulsionada pelo Proálcool (Programa Nacional do Álcool), durante o regime militar.

*Com informações do site Repórter Brasil


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