Postado em quarta-feira, 22 de julho de 2020 às 09:09

Preço da carne no Sul de Minas já é maior devido ao aumento de exportações no país

Produtores estão aproveitando para enviar mais produtos para outros países. Valor em açougues da região, como em Varginha, subiu.




Alguns cortes de carnes de porco e de boi estão mais caros e um dos motivos é o aumento nas exportações brasileiras. Com isso, quem costuma comprar pernil suíno sabe que a peça ficou um pouco mais cara este ano.

Em um açougue de Varginha, o preço do quilo passou de R$ 14 para R$ 16.

“Em três semanas, até agora, ele subiu 40% o quilo vivo do suíno. No total a gente não consegue repassar esses 40%, porque se não, já está caro e vai ficar muito mais, explicou o proprietário do açougue, Guilherme Augusto da Silva.

A carne de boi também subiu no açougue em uma média de 10%. Mas o repasse acabou indo pras carnes de segunda, como o acém, por exemplo. O quilo passou de R$ 20 para R$ 22. Outro exemplo é o coxão mole, em que o preço subiu de R$ 26,50 para R$ 29.

“Eu tenho meus lugares certos de comprar, supermercado, casa de fruta, açougue. Então eu já vou no lugar certo. Se subiu muito a gente procura uma alternativa”, confessou a dona de casa Maria Auxiliadora de Oliveira Pressato.

Alguns fatores têm influenciado nessa alta de preços. Entre eles, uma oferta menor das carnes de boi e de porco no país. E não só por causa da entressafra. Mas porque muitos produtores e frigoríficos optaram por mandar uma parte maior da produção nacional para o exterior.

Demanda internacional

Segundo um professor de economia rural da Universidade Federal de Lavras (Ufla), a demanda internacional aumentou principalmente na China.

"No ano passado, em 2019, se teve o problema da peste suína na China, onde quase todo o rebanho de suínos da China foi dizimado por causa dessa doença. Aí, consequentemente, essa oferta de proteína de suínos, ela ficou deficitária na China e ela saiu atrás do mercado pra ela comprar essa proteína animal. E consequentemente, além de comprar a carne de suínos, ela também buscou comprar carne de bovinos pra atender de uma maneira geral toda essa demanda de proteína animal de suínos e bovinos", destacou o professor Renato Fontes.

Ainda segundo o professor, o mercado brasileiro foi o que conseguiu atender a essa demanda. E com o dólar valorizado frente ao real, os frigoríficos também conseguiram um lucro maior.

Pra se ter uma ideia, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia, de janeiro a junho deste ano, o volume exportado de carnes foi de 909,72 mil toneladas. O que representa 9% a mais que no mesmo período do ano passado. Já o rendimento foi 26% maior, chegando a 3,9 bilhões de dólares.

Esse fator acaba sendo bom para o criador, mas para quem vendo o produto no país nem tanto.

“Agora era melhor se normalizasse. Parasse um pouco a exportação para ter mais oferta para a gente. Porque se continuar a exportação, a tendência agora é só subir”, alertou o proprietário do açougue, Guilherme Augusto da Silva.

Segundo o professor da Ufla, é difícil falar como os preços vão ficar daqui para frente. A tendência é que o mercado sempre busque um equilíbrio.

"Ele, num primeiro momento, busca um equilíbrio diminuindo a elevação dos preços, depois há uma estabilização dos preços, e num tempo os preços começam a cair. A previsão de preço, ela é muito perigosa de ser feita, porque por ser um mercado em concorrência perfeito, ninguém sabe o que vai acontecer com esses preços. Podem ocorrer "n" problemas no decorrer do caminho. Mas é uma tendência de um médio prazo, lá pra outubro, novembro, quando entrar uma nova safra do gado confinado, a gente ter uma melhoria nos preços para os consumidores", comentou Renato Fontes.

Fonte: G1



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