Postado em quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Mais de 7% dos moradores de Poço Fundo estão desalojados devido às chuvas

Temporal registrado na noite de segunda-feira e madrugada de terça deixou estragos em várias cidades do Sul de Minas. Em Poço Fundo, 1.200 pessoas estão desalojadas.


Mais de 7% dos moradores de Poço Fundo tiveram suas casas invadidas pela água da forte chuva que atingiu o Sul de Minas Gerais, na noite da última segunda-feira e madrugada de terça. Na cidade de 15.959 habitantes, 1.200 pessoas foram diretamente atingidas pelo temporal - a precipitação foi de 100 milímetros em um intervalo de três horas.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil do município, Rosiel de Lima, 300 casas foram invadidas pela água, fazendo com que os moradores saíssem de suas residências. Desse número, 10 estruturas foram interditadas, devido a riscos de desmoronamento.

“Toda a equipe da cidade - secretarias, bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil - trabalhou para tirar as pessoas das casas para não haver perda de vida. Viramos a noite e madrugada”, conta.

Segundo ele, a equipe ainda está fazendo um levantamento e identificando outros pontos de risco. Enquanto isso, moradores que tiveram suas casas invadidas pela água estão trabalhando na limpeza do local. Devido ao alto nível de água, muitos habitantes perderam praticamente todos os bens.

Apesar de a Escola Municipal Carlito Ferreira servir de abrigo para pessoas que tiveram que sair de suas casas, muitos moradores optam por procurar outros locais - a maioria da população desabrigada tem preferido ir para acasa de familiares.

Com mais de 400 quilômetro quadrados, a zona rural da cidade foi a mais afetada. Na região, 12 pontes foram destruídas e outras três foram condenadas (risco alto de desabamento).

Ainda de acordo com Rosiel, que também é secretário de Saúde da cidade, a prefeitura também já solicitou ao governo do estado vacinas contra hepatite e tétano para pessoas pessoas que sofreram ferimentos durante o temporal.

FALTA DE ÁGUA

Outro problema enfrentado pela população foi a distribuição de água potável na região. O manancial da Copasa também foi afetado durante a forte chuva e interrompeu o serviço por horas. Segundo a Copasa, técnicos da companhia estão no local para manutenção. Enquanto isso, caminhões-pipa serão utilizados para o abastecimento de hospitais e abrigos. Ainda não há previsão para a volta do abastecimento.

Nessa terça-feira, o prefeito Renato Ferreira de Oliveira (PT) decretou estado de calamidade. O prefeito também resolveu cancelar o carnaval no município e destinar os recursos para a reparação dos danos causados pela chuva.

A Defesa Civil de Minas Gerais e o Corpo de Bombeiros também estão na região.

AÇÃO SOCIAL

Logo após o término da chuva, começaram a aparecer redes de solidariedade no município. Segundo Jander Souza, secretário de Ação Social de Poço Fundo, a administração pública está ajudando os moradores quanto a aluguéis sociais, além de alimentação e produtos de limpeza e higiene. Boa parte desses produtos são decorrentes de doações.

“A população está de parabéns. Estamos recebendo muita roupa e muita cesta básica. De tudo isso, a gente tira a solidariedade como um ponto positivo”, afirma.

Conforme o secretário, a prefeitura já está abrindo uma conta bancária para receber doações. A previsão é de que a conta já esteja disponível nesta quarta-feira.

VAQUINHA VIRTUAL

Enquanto a administração pública trabalha para reparar os danos causados pela chuva, a sociedade civil também está mobilizada. Uma vaquinha virtual, nomeada “Ajuda aos afetados pela enchente em Poço Fundo” foi criada pelo filho do prefeito, Afonso Ribeiro, natural de Poço Fundo, mas que mora em São Paulo desde 2011.

Inicialmente, a meta da vaquinha era coletar R$5 mil reais, mas até às 16h45 desta quarta-feira, o objetivo já tinha sido alcançado e a meta aumentada para R$ 6 mil. A ideia é enviar o dinheiro para o Centro de Referência de Assistência Social da cidade, o CRA.

“Tem um grupo no whatsApp com mais de 50 voluntários, a princípio para arrecadar colchões, travesseiros e produtos de limpeza e higiene. A gente não pode ir até lá para poder colaborar, mas tentamos fazer o que é possível de longe”, conta Afonso, que diz conhecer várias pessoas que tiveram as casas destruídas.

No mesmo grupo, há pessoas trabalhando em diversas frentes, como cuidado com animais, serviço psicológico, coleta de doações, um mutirão de limpeza e até pessoas vendendo rifas para arrecadar dinheiro.

CHUVA EM MINAS GERAIS

A chuva desta segunda e terça-feira atingiu várias cidades do Sul de Minas, Campo das Vertentes, Zona da Mata e parte da Região Metropolitana de Minas Gerais. Os acumulados significativos de precipitação resultaram em transbordamento de rios, alagamentos, deslizamentos e deixaram famílias desabrigadas.

De acordo com a Defesa Civil, ao menos 445 casas foram afetadas e cerca de 1,7 mil pessoas ficaram fora de suas casas, isto é, desalajodas ou desabrigadas, desde segunda-feira só no Sul de Minas.

Em toda Minas Gerais, de 24 de janeiro até esta quarta-feira (12/02), 60 mortes foram registradas e mais de 33 mil pessoas fora de casa. Considerando o período de chuvas, de outubro até hoje , são 71 mortes. Na última terça-feira (11/02), Sandra Regina Parede, de 58 anos, morreu em Caxambú, após um deslizamento de terra, que atingiu sua casa e ela foi soterrada.


Fonte: Estado de Minas



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