Postado em sábado, 2 de dezembro de 2017 às 09:10

Presidente da Fifa evita falar de Del Nero e diz que entidade aguarda julgamentos

 Gianni Infantino, presidente da Fifa, participou de um "talk show", assim chamado pela organização da entidade, antes do sorteio desta sexta-feira, no Kremlin Palace, em Moscou. Ao lado do primeiro-ministro da Rússia, Vitaly Mutko, ele sentou-se no palco para falar apenas do que lhe interessava, tanto que, em tom de lamentação, reclamou quando a pergunta não agradou.

– Eu tenho que falar sobre corrupção – disse.

 

A questão foi sobre os julgamentos que estão acontecendo em Nova York, e o processo contra o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que não viajou à Rússia para o sorteio. Desde que seu antecessor José Maria Marin foi preso, em maio de 2015, Del Nero deixou de acompanhar a seleção brasileira e não viaja mais para fora do Brasil. Até por isso, não está sendo julgado nos EUA.

Infantino respondeu longamente, mas se esquivou de falar sobre Del Nero. Disse que o Comitê de Ética da Fifa só vai se posicionar sobre os dirigentes acusados de corrupção pela justiça norte-americana se houver condenações nos julgamentos. Em dezembro de 2015, o órgão abriu processo contra Del Nero, citado por delatores como um dos receptores de propina.

No julgamento do "Caso Fifa", no Tribunal Federal do Brooklyn, em Nova York, o nome de Marco Polo Del Nero tem aparecido com cada vez mais frequência. Nesta quinta-feira, os promotores americanos exibiram planilhas com referências a pagamentos de propina a "Brasilero (MP)".
O delator argentino Eladio Rodríguez, ex-funcionário da empresa Torneos y Competencias, afirmou que se tratava de pagamento de subornos ao atual presidente da CBF, Marco Polo Nero, referentes a contratos da Copa América e da Copa Libertadores. Marco Polo nega (leia mais abaixo a defesa do dirigente).

 


Infantino e o foco no futebol

Infantino preferiu propagar que a Fifa, sob sua gestão, que teve início em fevereiro de 2016, tem se esforçado para limpar a corrupção.
– Espero que, nos próximos seis meses, o foco do futebol possa estar na Copa do Mundo. Mas, no passado, houve algo especial, no sentido negativo, um ecossistema que atingiu eventos de futebol. É importante colocar uma linha de limpeza para separar o passado do presente e do futuro. Coisas aconteceram, a Fifa fez de tudo para ajudar as autoridades americanas – afirmou.
Em seguida, o apresentador tentou direcionar o bate-papo para temas mais amenos:

– Talvez as próximas perguntas devessem
ser sobre futebol, sobre o jogo – pediu.

 

 

 

Não adiantou. Somaram-se questões sobre o acúmulo de casos de doping no esporte olímpico russo – assunto que tirou Mutko do sério, numa resposta de mais de 10 minutos – e sobre o processo de escolha das sedes da Copa do Mundo. Há denúncias de compras de votos para as últimas edições e, especialmente, para o Qatar, em 2022.

– O processo de escolha da sede para 2026 não pode mais estar sob suspeita, como ficaram outros, porque criamos todos os mecanismos para que isso não aconteça daqui para frente – assegurou Infantino, sempre numa tentativa de tentar mostrar que sua Fifa é diferente da anterior.

Entretanto, para elogiar a Rússia, organizadora da Copa do Mundo de 2018, seu discurso foi praticamente idêntico ao que os dirigentes passados usaram para falar da edição brasileira, de 2014. Suas palavras lembraram profundamente as do ex-secretário-geral, Jèrôme Valcke.

– Temos a ambição de organizar a melhor Copa do Mundo de todos os tempos, e estou convencido de que será. Futebol é paixão, é mágico, e pode mudar muitas coisas. Ele tem a força de fazer as pessoas se sentirem diferentes. Tudo está pronto na Rússia, ou ficará pronto muito em breve. A participação de todos os níveis do governo tem sido única, o comitê organizador é extraordinário – badalou o presidente da Fifa, na sequência de um discurso político de Mutko, que falou sobre investimentos em infraestrutura, construção de hospitais, aeroportos e legado, temas que os brasileiros também ouviram exaustivamente há quatro anos.

 

 

 

O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, enviou a seguinte nota ao GloboEsporte.com:

Com referência à citação feita pelo delator premiado JOSÉ ELADIO RODRIGUEZ na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, MARCO POLO DEL NERO, reitera que o depoimento do Sr. José Eladio Rodriguez se mostra contraditório, confuso e inverossímil, eis que afirma sequer saber quem era o presidente da CBF à época dos fatos ou identificar o significado de supostas iniciais lançadas em uma determinada planilha. Reitera definitivamente que não assinou nenhum contrato objeto das investigações seja pela CBF, entidade da qual não era o presidente à época, seja pela Conmebol, onde nunca exerceu nenhum cargo. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido.

 

 

 

 

Fonte: Globo Esportes

















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