Postado em sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Agronegócio brasileiro é responsável por poluir mais do que todo o Japão





A crise que insiste em não ir embora tem suas vantagens. Dados relativos a 2016 mostram que a emissão de gases de efeito estufa teve uma queda em quase todos os setores da economia. A indústria teve uma redução de 5,9% em relação ao ano anterior, e os resíduos industriais e residenciais tiveram uma redução de 0,7%. No setor de energia, que inclui tanto a geração elétrica quanto os transportes, a queda foi ainda maior. Um recuo de 7,3%, também impactado pelas chuvas, que aumentaram o volume dos reservatórios das hidroelétricas, dispensando as termelétricas movidas a combustíveis fósseis.

As boas notícias acabam por aqui. De acordo com os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), lançado na quinta-feira (26 de outubro) pelo Observatório do Clima, as emissões totais do País cresceram 8,9% em comparação à 2015. É o nível mais alto desde de 2008, e a maior elevação de um ano para outro desde 2004. 2,278 bilhões de toneladas de gás carbônico chegaram à atmosfera, um acréscimo de 187 bilhões de toneladas de CO². O Brasil é o sétimo maior poluidor do mundo, considerando a União Europeia como uma "nação" só.

Uma atividade, porém, lidera por muito as emissões brasileiras. É o agronegócio, responsável por 76% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Se a agropecuária nacional fosse um país, seria o oitavo maior poluidor do planeta, à frente do Japão.

A crise também ajuda a explicar o crescimento das emissões do setor. Com menos dinheiro, as pessoas compraram menos carne. Com menos consumo, os bois sobreviveram mais tempo no pasto, chegando a 198 milhões de cabeças, segundo o IBGE. Mais gado vivo, mais metano — maior vilão do aquecimento global depois do CO² — é liberado pelo processo de digestão.

Também contribuiu o crescimento recorde (23%) no uso de fertilizantes nitrogenados, que emitem óxido nitroso (N²O), um gás 265 vezes mais danoso que o CO². Se considerar somente a produção (fertilizantes, transporte, tratores, pum e arroto das vacas, etc.) o aumento da emissão foi de 1,7% em relação ao ano anterior. O problema é que essa conta não para por aí: o desmatamento, diretamente ligado ao setor agropecuário, é a principal causa de emissão dos gases do efeito estufa.

Principalmente devido ao aumento de 27% no desmatamento na Amazônia no ano passado — apesar do Cerrado ter sofrido bastante também —, as emissões por mudança de uso na terra cresceram 23% no ano passado. É 51% de todos os gases do efeito estufa que o Brasil lançou no ar. “O descontrole do desmatamento nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO² a mais em 2016”, afirma Ane Alencar, pesquisadora do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

E como nada é tão ruim que não possa piorar, a maior parte desse desmatamento é ilegal, o que não ajuda a contribuir para os números da economia. Nos dois últimos anos a elevação acumulada de emissões foi de 12,3%, enquanto o PIB recuou 7,4 pontos percentuais. Assim, o Brasil conseguiu a proeza de ser a única grande economia do mundo que a aumentar a poluição sem gerar riquezas para a sociedade.

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A crise que insiste em não ir embora tem suas vantagens. Dados relativos a 2016 mostram que a emissão de gases de efeito estufa teve uma queda em quase todos os setores da economia. A indústria teve uma redução de 5,9% em relação ao ano anterior, e os resíduos industriais e residenciais tiveram uma redução de 0,7%. No setor de energia, que inclui tanto a geração elétrica quanto os transportes, a queda foi ainda maior. Um recuo de 7,3%, também impactado pelas chuvas, que aumentaram o volume dos reservatórios das hidroelétricas, dispensando as termelétricas movidas a combustíveis fósseis.

As boas notícias acabam por aqui. De acordo com os dados da nova edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), lançado na quinta-feira (26 de outubro) pelo Observatório do Clima, as emissões totais do País cresceram 8,9% em comparação à 2015. É o nível mais alto desde de 2008, e a maior elevação de um ano para outro desde 2004. 2,278 bilhões de toneladas de gás carbônico chegaram à atmosfera, um acréscimo de 187 bilhões de toneladas de CO². O Brasil é o sétimo maior poluidor do mundo, considerando a União Europeia como uma "nação" só.
Uma atividade, porém, lidera por muito as emissões brasileiras. É o agronegócio, responsável por 76% das emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Se a agropecuária nacional fosse um país, seria o oitavo maior poluidor do planeta, à frente do Japão.

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A crise também ajuda a explicar o crescimento das emissões do setor. Com menos dinheiro, as pessoas compraram menos carne. Com menos consumo, os bois sobreviveram mais tempo no pasto, chegando a 198 milhões de cabeças, segundo o IBGE. Mais gado vivo, mais metano — maior vilão do aquecimento global depois do CO² — é liberado pelo processo de digestão.

Também contribuiu o crescimento recorde (23%) no uso de fertilizantes nitrogenados, que emitem óxido nitroso (N²O), um gás 265 vezes mais danoso que o CO². Se considerar somente a produção (fertilizantes, transporte, tratores, pum e arroto das vacas, etc.) o aumento da emissão foi de 1,7% em relação ao ano anterior. O problema é que essa conta não para por aí: o desmatamento, diretamente ligado ao setor agropecuário, é a principal causa de emissão dos gases do efeito estufa.
Principalmente devido ao aumento de 27% no desmatamento na Amazônia no ano passado — apesar do Cerrado ter sofrido bastante também —, as emissões por mudança de uso na terra cresceram 23% no ano passado. É 51% de todos os gases do efeito estufa que o Brasil lançou no ar. “O descontrole do desmatamento nos levou a emitir 218 milhões de toneladas de CO² a mais em 2016”, afirma Ane Alencar, pesquisadora do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

E como nada é tão ruim que não possa piorar, a maior parte desse desmatamento é ilegal, o que não ajuda a contribuir para os números da economia. Nos dois últimos anos a elevação acumulada de emissões foi de 12,3%, enquanto o PIB recuou 7,4 pontos percentuais. Assim, o Brasil conseguiu a proeza de ser a única grande economia do mundo que a aumentar a poluição sem gerar riquezas para a sociedade.

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Fonte: Revista Galileu

















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