Postado em quinta-feira, 19 de outubro de 2017 às 11:16

Mineiro de Pouso Alegre alcança topo da maior montanha do México: O clima é de paz e silêncio, longe de tudo



Pôr e nascer do sol, muita neve e pouco ar. Explorar o pico da montanha mais alta do México foi a aventura escolhida por um empresário de Pouso Alegre (MG). Bruno Reis tem 30 anos e usou as inspirações das montanhas da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas, para um dos seus maiores desafios.

A paixão pelas montanhas começou em 2014, quando subiu o Pico dos Marins, na divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Nos próximos anos, sobrou aventura pra contar, dos picos da Mantiqueira à Serra do Papagaio em Aiuruoca (MG), até expandir as fronteiras para o restante da América. Argentina, Chile e Peru foram os países escolhidos, até chegar ao México.

O desafio da vez? Um percurso de sete quilômetros que começa em um parque no estado de Puebla, para quem escolhe subir pela direção Sul. O Pico de Orizaba tem mais de 5,6 mil metros de altitude, em um terreno acidentado repleto de pedras vulcânicas no início e os últimos dois quilômetros íngremes, cheios de neve. Bruno chegou ao topo no último fim de semana.

Para conseguir enfrentar os quilômetros de caminhada, teve um treinamento intensivo com bicicletas pelas trilhas da região de Pouso Alegre, com sequências que chegaram a 17 dias seguidos. A preparação também teve caminhada e alimentação regrada, sem exageros.

Quem vê o empresário com tanta disposição e força para encarar o desafio, não imagina como foram os últimos anos. A paixão pela natureza veio com um grupo de escoteiros quando era criança, mas o estilo de vida mudou da adolescência para a vida adulta.


"Certa parte da vida, não cuidava da saúde, curtia festas e cheguei a pesar quase 100 quilos. Quando cheguei aos 25 anos, decidi mudar de vida. Comecei a pedalar e foi da bicicleta que tirei o preparo que tenho hoje".

Dos pedais, até chegar a sua primeira escalada de alta montanha no México, a aventura cresceu e ganhou outra dimensão.


“Quando você está a mais de 5 mil metros de altitude, sua cabeça não funciona perfeitamente, o raciocínio fica atrapalhado. Falta o ar, você fica ofegante. O que mais precisa em uma aventura dessas é a atenção. Qualquer deslize pode ser fatal”.

O medo que toma conta ao chegar próximo ao fim do pico é compensado com a missão cumprida. “Minha escalada foi perfeita e o mais lindo são as paisagens. As imagens que a gente consegue são impressionantes. Eu vi o nascer e pôr-do-sol, neve, gelo, tudo em meio ao silêncio, pensamento, reflexões... é o que mais me encanta”.


O momento foi registrado em inúmeras fotos e vídeos feitos para lembrar mais uma conquista.

“É uma luta do corpo e do seu psicológico. Você está subindo, subindo e quando olha está à beira de um abismo, pendurado no gelo”.

Acidente

Foi ao voltar do seu trajeto que Bruno teve uma triste notícia. Um colega alpinista mexicano havia se acidentado no pico. No final do trecho, a 4,8 metros de altitude, onde o gelo é resistente e exige firmeza nos equipamentos, ele caiu e escorregou por 600 metros, batendo em pedras.

“Eu e cinco ou seis mexicanos fizemos o resgate. A ambulância chegou só oito horas depois do acidente, com três socorristas. Foram mais de 500 metros difíceis carregando uma maca”.

As últimas notícias que teve do colega não foram tão boas. “Estou em contato com a família dele. Ele está na UTI. Estamos pedindo orações para ele se recuperar. Eu quero ver esse menino bem”.



A dor pelo acidente do amigo trouxe lições ao aventureiro. “Subir uma montanha não é brincadeira, é alto risco. Muitas pessoas morrem todos os anos. É preciso ter muita atenção, conhecer muito bem os equipamentos. Além de ter um controle psicológico muito grande para manter a calma quando está em apuros”.

Bruno lembra que é preciso respeitar a montanha e a natureza. “Se for preciso voltar por conta da tempestade de neve, ou chuva, ou muito vento, volte. A vida vale mais que a aventura”.


Com tantas histórias na bagagem, Bruno ainda tem o sonho de subir mais alto. “Quem sabe um dia chego ao topo do mundo, o Everest”.

“O que me fascina na montanha são as pessoas que conhecemos lá. Coração puro, alma muito boa, tentando ajudar o outro, sem querer ser mais que ninguém. O clima é de paz e silêncio, longe de toda a sociedade, de toda a violência e tudo de mal que tem aqui embaixo”.

 

Fonte: G1 Sul de Minas

















Alfenas Hoje - Jornalismo com responsabilidade
Copyright © 2007 - 2017 - Todos os direitos reservados

Adapt Soluções e Treinamentos