Postado em terça-feira, 10 de outubro de 2017 às 11:29

Dois anos após morte, pais mantêm quarto de universitária intacto em Extrema, MG

No porta-retratos sobre o criado-mudo ainda está a foto de Larissa. Do guarda-roupas, nem uma peça foi retirada. Nas paredes, na comôda, em todo o quarto, o desejo de manter viva a lembrança de uma filha perdida tão repentinamente. Dois anos após o cruel assassinato da universitária, os pais mantêm o cômodo intacto na casa onde continuam morando, em Extrema (MG). Não tivemos coragem, resume a mãe, Maria Nicéia de Oliveira Souza.

Larissa Gonçalves de Souza, na época com 21 anos, desapareceu no dia 23 de outubro de 2015, quando estacionou de carro na rodoviária de Extrema para pegar o ônibus até a faculdade, em Bragança Paulista (SP). Antes de sair do veículo, ela foi abordada por um casal, que a colocou no banco de trás e saiu do local.

Onze dias depois, o corpo dela foi encontrado na Serra do Lopo, ponto turístico da cidade, com sinais de tortura que apontaram que ela havia sido morta com requintes de crueldade.

É difícil, muito difícil. Porque ela estava em uma felicidade tão grande naquela sexta-feira, fez unha, naquela maior alegria, ia entregar um trabalho. Do jeito que foi, é difícil de aceitar, muito difícil, lamenta dona Nicéia.

E a espera por justiça realmente não tem sido fácil. Após a morte da filha, dona Nicéia passou a sofrer de depressão, síndrome do pânico e até problemas no estômago. Consultas a um psicólogo e um psiquiatra passaram a ser rotina não só para ela, mas também para o marido e a filha mais nova, que tinha 15 anos na época do crime.

Tudo devido ao sofrimento, devido ao stress, devido à saudade. É um sofrimento por tudo mesmo. Então mexeu com o meu corpo totalmente. Então tem dia que eu estou bem, tem dia que não estou. Estou passando por psiquiatra, psicólogo. E tudo devido ao sofrimento, conta.


A filha como base e o quarto intacto

Mas como seguir em frente? De onde tirar forças para seguir em frente? Não só a resposta, mas um verdadeiro puxão veio na figura da filha mais nova do casal, que completou 17 anos recentemente. Foi ela quem, além de servir motivação, se tornou um verdadeiro pilar para a família.

Ela passou por psicólogo, mas ela amadureceu rápido. Eu fiquei na casa do meu pai por três meses, eu não conseguia voltar para minha casa. Mas chegou uma hora que ela falou: Mãe, vamos voltar para casa. Chega. Eu estou com saudades da minha cama, estou com saudades de tudo que é nosso. Está na hora da gente voltar, Então ela foi o alicerce para nós caminharmos. Se não fosse por ela, não sei como seria, lembra, emocionada, dona Nicéia.


A mãe conta ainda que as duas eram muito apegadas, costumavam até dormir juntas. Foi a pedido da mais nova, que o quarto de Larissa foi mantido como ficou, como forma de recordação. As coisinhas dela do quarto estão tudo do mesmo jeito que ela deixou, não mudamos nada. Nem as roupas dela, nada a gente mexeu. Não tivemos coragem, diz a mãe.

Enquanto a filha mais nova se aproxima da conclusão do Ensino Médio e se prepara para prestar vestibular, a família aguarda o início do julgamento, que deve acontecer no início de dezembro.

Parece que a ficha não caiu ainda. Parece que ela está fazendo uma viagem e vai chegar a qualquer momento. O sofrimento é muito, muito grande, muito forte. Porque até agora eu não entendo. Eu não entendo. Não dá para entender ainda o que aconteceu. Essa cicatriz nunca vai cicatrizar, conclui dona Nicéia.

Investigações

O inquérito, já encerrado pela Polícia Civil da cidade, indicou que a morte teria sido encomendada por R$ 1 mil pelo comerciante José Roberto Freire. A loja do suspeito foi depredada e incendiada por moradores de Extrema revoltados com o crime.

Após ser preso, ele admitiu ter planejado o crime, mas acusou o namorado de Larissa, o modelo Lucas Gamero, de ter participação no crime. O rapaz chegou a ser preso preventivamente, mas foi liberado e inocentado durante as investigações. O casal suspeito de ter cometido o crime também foi preso.


Em depoimento à polícia, o garoto de programa Valdeir Bispo dos Santos confessou ter participado da abordagem à universitária, mas negou ser o autor do crime. Ele acusou o comerciante de ter sido o autor do crime e disse que um peso de academia teria sido usado para golpear Larissa. A outra suspeita presa é a enfermeira Rosiane Rosa da Silva, apontada como comparsa de Santos.

Segundo a médica legista Tatiana Telles Koeler de Matos, a jovem teve os punhos amarrados aos tornozelos com fios elétricos, a cabeça envolta com fita adesiva, fraturas em dois pontos do maxilar e apresentava marcas de estrangulamento. Diante das revelações feitas por Santos, a legista acredita que o peso de academia foi usado no rosto da jovem.

 

Fonte: G1 Sul de Minas

















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